Por que a motivação acompanha a ação, e não o inverso

Imagem de uma mão feminina segurando uma claquete com a frase hora de agir.
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Por Redação Foz

Em geral, acredita-se que a motivação é o impulso inicial para a realização de um projeto ou algo qualquer. Mas e se for o inverso? E se for a ação o ponto de partida? Parece fazer mais sentido. Afinal, é o movimento que cria energia, e não o contrário. Quando se inicia uma tarefa, mesmo que pequena, é a sensação de progresso que desperta a vontade de continuar. Logo, a fonte da motivação é a ação.

O comodismo pode estar por trás da ideia oposta — a de que a ação é seguida pela motivação. É mais confortável permanecer na zona de conforto. Do contrário, frases como “Quero muito começar a malhar, mas não consigo encontrar tempo” ou “Adoraria voltar a pintar, mas ando sem inspiração” não seriam ditas com tanta frequência. No fundo, sabe-se que o tempo e a inspiração nunca chegarão.

Explicação científica

A prática de adiar decisões, contudo, parece ter razões mais profundas. De acordo com um estudo disponível na National Library of Medicine, trata-se de uma reação cerebral natural de defesa, que intervém, sem distinção, a cada desconforto percebido, indicando ser mais seguro se manter no que é familiar. Por outro lado, esperar estar pronto para agir conduz quase sempre a um ciclo interminável de procrastinação.

Para o cérebro, felizmente, a etapa mais desafiadora é superar a inércia inicial, revela o escritor James Clear, autor do best-seller Hábitos Atômicos. Assim, quando se age, ele reconhece o esforço e gera a energia para o passo seguinte e além. A tese se baseia na ideia de que a motivação nem sempre precede a ação, mas é com frequência um subproduto do próprio movimento.

Ciclo de motivação

No livro, James argumenta que a chave para vencer a resistência inicial é começar com ações pequenas e concretas, pois requerem esforço mínimo, e fazem com que o cérebro entre em movimento de forma progressiva. “Pequenos avanços produzem o impulso necessário para que o desafio de dar início a algo seja superado, e criam um ciclo de motivação gerado pela própria ação”, afirma.

A imagem que talvez melhor ilustre o que James diz seja a da bola de neve descendo do topo da montanha. Começa pouco volumosa, mas à medida que rola cresce em tamanho e velocidade. É semelhante ao impulso que as pequenas ações geram no cérebro. Quando realizadas com frequência, o efeito cumulativo decorrente dá a sensação de progresso e aumenta a vontade de continuar.

Fotos Freepik
Imagem de quatro pessoas jovens em ação (correndo, tocando guitarra, empreendendo e escrevendo). Ideia de que a ação desperta a motivação, e não o inverso
Ação gera motivação

Rápido versus duradouro

Como disse certa vez Darren Hardy, ex-editor da revista Success e autor do também bestseller Efeito Composto, “o ritmo da ação diária alinhada com seus objetivos cria o impulso que separa os sonhadores dos super-realizadores”. Ou seja, o sucesso duradouro resulta do acúmulo de pequenas ações consistentes e deliberados, que criam a base para a aquisição de habilidades, conhecimento e resiliência.

Em contrapartida, a busca pelo sucesso rápido exige esforço intenso e concentrado por um certo tempo. Uma vez alcançado, pode gerar uma sensação inicial de realização. Porém, por ser extenuante, tende a inibir a motivação necessária para mantê-lo a longo prazo, causando retrocesso. É como se preparar dois meses antes para correr uma maratona. Não é sustentável. Fazer avanços diários e constantes, sim.

Rotina de motivação

A trajetória de pessoas célebres, que construíram carreiras sólidas e inovadoras, revela um ponto comum: a força da rotina cotidiana. No livro Rituais Diários: como os artistas trabalham, Mason Currey mostra que figuras como Elon Musk; Benjamin Franklin; Oprah Winfrey; e Steve Jobs alcançaram o sucesso por meio de pequenas ações no dia a dia, combinadas com disciplina.

A empresária e apresentadora Oprah Winfrey, por exemplo, começa o dia com meditação e exercícios físicos. O ritual matinal a mantém com energia ao longo do dia, que é preenchido por reuniões e gravações. Benjamin Franklin acordava cedo e revisava suas metas diárias. Steve Jobs organizava encontros semanais com as equipes, e todos os dias se questionava sobre a relevância de suas ações.

Outros exemplos

Haruki Murakami — O autor japonês é conhecido por sua disciplina rigorosa. Ele acorda às 4 h para escrever por cinco a seis horas seguidas. Depois, corre ou nada, atividades que considera essenciais para manter a mente afiada e o corpo saudável.

Maya Angelou — Mesmo tendo uma casa confortável, a autora e poeta alugava um quarto de hotel para escrever longe de distrações. Lá, permanecia das 7 h às 14 h.

Elon Musk — O CEO da Tesla e da Space X estrutura seu dia em blocos de cinco minutos, destinando a cada um deles tarefas específicas. Assim, o mantém organizado com extrema eficiência.

Tamanho não importa

Com certeza, esperar que estivessem motivados ou que as estrelas se alinhassem para agir não foi a escolha que fizeram. Embora sejam exemplos extremos de sucesso em suas respectivas áreas, criar uma rotina diária de repetições e ajustes é a chave para a realização de qualquer tipo e tamanho de projeto pessoal. “O sucesso raramente é espontâneo. Em geral, resulta de pequenos e constantes rituais cotidianos”, diz Currey.

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